Enquanto que o mundo parece simultaneamente englobar e dividir, as actividades pluridisciplinares do Projecto Tenchi procuram reunir, aproximar, trocar experiências…

O objectivo do Projecto Tenchi é dar um sentido às Artes do Movimento desafiando as fronteiras entre Oriente e Ocidente mais no sentido da inclusão do que exclusão.

Constata-se há alguns anos uma predominância do presente, do instantâneo face a uma relativa depreciação das ideologias, da Utopia.

O sagrado e quotidiano tendem a fundir-se, apropriando corpo, espaço e tempo. Esta fusão inscreve-se cada vez mais no âmbito das relações sociais. O imediato propicia uma mediação entre o particular e o universal, entre o local e o global.

A evolução das diferentes correntes das Artes do Movimento reflecte esta tendência e encontramo-la no que há de mais criativo na dança, no teatro e nomeadamente nas artes marciais. Nelas a expressão do movimento leva à abertura do espaço ao infinito e os corpos sacralizam-se numa estética de uma grande pureza.

Será isto então, para a expressão e a criação artística, uma nova maneira de restituir ao quotidiano o Sagrado?

No entanto uma certa globalização poderia pôr em perigo a essência das Artes do Movimento, guardiã de riquezas tradicionais que fazem parte do património mundial.

O perigo reside na mecanização do gesto em benefício da tecnicidade e da eficácia; a perda da alma do movimento e a ausência de reflexão por falta de tempo; a repetição puramente física, uma orientação sem consciência faria perder o espírito de vigilância, reflexo desta beleza próxima da Perfeição.

Mas a Arte do Movimento oferece, sem sombra de dúvida, uma permeabilidade cultural e abre a um mesmo universo simbólico as diferentes culturas. A sua contribuição é fundamental e criadora.

Sonho ou Utopia?

“Deveria haver um lugar onde todo o ser humano pudesse viver livremente como um cidadão do mundo. Um lugar onde o despertar do homem e o seu progresso interior se fizessem na harmonia entre o corpo e o espírito. Um lugar onde as artes se encontrassem a fim de acordar as consciências. Um lugar consagrado a criar relações de fraternidade entre os homens e a fazer prevalecer a paz no mundo.”

G. S., Ten-Chi – 1978

Guiado por este ideal, Georges Stobbaerts e os membros da associação Tenchi Internacional criaram um lugar, o dojo Tenchi situado em Portugal, Sintra (Várzea). A cidade histórica de Sintra, que pertence ao património universal, está a 25 km da capital, Lisboa.

 

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